A Evolução Humana




A Evolução Humana
Por Marco Antônio Campo Dall'orto

Como os seres humanos surgiram no planeta? Como conseguimos nos tornar a espécie mais inteligente sobre a Terra? São perguntas que intrigam todos nós. Porém, como responder essas perguntas?

QUEM SOMOS NÓS E DE ONDE VIEMOS?

O Big Bang
Inicialmente, devemos saber que alguns estudiosos afirmam que o universo surgiu há mais ou menos 15 bilhões de anos atrás em uma gigantesca explosão. A essa explosão, chamamos de Big Bang. O Big Bang deu origem a todos os corpos celeste que existem em todo o universo. Por isso, O Sol, a Terra, a Lua fazem parte dessa História também. Até seis bilhões de anos atrás, a Terra era uma imensa bola de rochas fumegantes. Porém, a parte de fora, chamada de crosta terrestre começou a esfriar e assim as rochas surgiram. A Terra então mudou muito, os oceanos surgiram, os continentes eram unidos em um só continente chamado Pangéia.
 
A atmosfera surgiu e as primeiras formas de vida também. Há 3,5 bilhões de anos atrás, os primeiros seres vivos surgiram, eles eram unicelulares, ou seja, só possuíam uma célula. Surgiram nos mares e ao passar de longos milênios foram se desenvolvendo, aumentando de tamanho e a quantidade de células. Nos mares, eles cresceram e formaram várias espécies, até chegar ao ponto de algumas dessas espécies saírem do mar para buscar alimento fora do mar, em terra firme. Por isso, ao longo de milênios eles desenvolveram formas de permanecer mais tempo fora d’água. Dessa forma, os primeiros animais que respiravam surgiram há mais ou menos três bilhões de anos atrás.

Esses animais que viviam em terra firme, começaram a se desenvolver muito, pois podiam comer muitas plantas - que já eram abundantes - e não tinham animais que se alimentassem deles, isto é, que fossem seus predadores. Como não tinham predadores, os animais que passaram a viver em terra firme cresceram muito em tamanho.

A seleção natural
Há mais de cem anos, um naturalista chamado Charles Darwin conseguiu explicar como as espécies surgiram no planeta e como cada espécie pode se dividir em várias espécies. Segundo Darwin, os mesmos animais que se separam e passam a viver em lugares muito distantes e diferentes, com um clima diferente e um tipo de alimentação diferente, com o passar dos tempos e após centenas de gerações, acabam se adaptando a esse novo ambiente. Novas formas de alimentação acabam selecionando os mais adaptados, pois os que não conseguem se adaptar a nova forma de vida, acabam morrendo.

Para Darwin, a todo o momento, os animais estão se adaptando as mudanças que acontecem bem vagarosamente no planeta e os menos adaptados acabam sendo substituídos pelos mais fortes, que conseguem viver em condições mais duras ou diferentes. É assim, que surgem as espécies. Para exemplificar a Teoria da Seleção Natural formulada por Charles Darwin, vamos continuar com a História. Há mais ou menos 250 milhões de anos atrás, surgiram no nosso planeta, enormes lagartos chamados dinossauros. Como viviam em lugares distantes, formaram várias espécies diferentes. Por isso, na América do Norte surgirão espécies de dinossauros diferentes dos que existiam na América do sul. Pois eles viviam em tipos de clima diferentes e comendo coisas diferentes.

Na Europa e na Ásia, também surgiram outras espécies de dinossauros diferentes devido ao ambiente diferente, por isso, existiram dinossauros que se alimentavam de vegetais e não possuíam garras nem dentes grandes. Os que se alimentavam de carne, precisavam caçar outros animais menores, por isso deviam ser ágeis e possuir grandes mandíbulas e dentes afiados para destroçar sua caça. Há 65 milhões de anos atrás, um grande asteroide se colidiu com o Planeta Terra. Ele era tão imenso que fez a Terra tremer. Sua força foi tão devastadora que uma grande cratera se formou onde hoje é o Golfo do México. Este impacto foi tão poderoso que uma grande nuvem de poeira se alastrou por toda a terra por séculos.

Como já sabemos que as espécies mais resistentes às novas condições de vida permanecem, muitas plantas que não possuíam essas capacidades foram extintas devido à baixa quantidade de raios solares que conseguiam passar pela grande nuvem de poeira. Vários animais que comiam essas plantas também entraram em extinção. E como uma bola de neve, muitos animais deixaram de existir pela mudança brutal da forma de vida, entre estes, a maioria dos dinossauros. No entanto, alguns dinossauros conseguiram continuar vivos e existem até hoje, o Dragão de Komodo é um deles.

Os mamíferos
Entre os animais que conseguiram se adaptar a esse mundo diferente, estava um pequeno animal chamado de mamífero. Ele não sofreu tanto, pois comia várias plantas e tinha capacidade de aquecer o próprio corpo. Não sendo dependente da luz do Sol para se movimentar como os répteis. Com a extinção de quase todos os seus predadores, os mamíferos se alastraram por todo o planeta e em cada lugar se transformaram em novas espécies. Com o ambiente diferente, a forma de vida e o tipo de alimentação faziam com que os corpos fossem mudando para se adaptar.

Assim, surgiram vários tipos de mamíferos em todo o Planeta Terra. Nos mares existem as baleias, os golfinhos, os morcegos que voam como aves e em terra, milhares de espécies diferentes que possuem sangue quente e que mamam, isto é, que são mamíferos.  Você é uma dessas espécies de mamíferos. Mas como nós, humanos, surgimos? Uma coisa já sabemos, surgimos na África.

Os primatas
Há mais ou menos quinze milhões de anos atrás, o continente africano era bem diferente do que é hoje, a África era uma imensa floresta tropical, como a Amazônia é hoje. Nesta época viviam nos galhos das árvores um mamífero bem adaptado a viver sobre as árvores sem precisar descer ao chão para buscar alimento ou beber água. Ele conseguia tudo que precisava nas árvores. Eles eram chamados de primatas. Os primatas possuíam patas que pareciam com mãos. Seus dedos eram muito bem adaptados para segurar firmemente todo o peso do corpo para que eles pudessem se deslocar de um galho para o outro. Possuíam rabo para ajudar no equilíbrio também. Eles comiam folhas e frutos, brotos e alguns até caçavam outros pequenos animais para comer.

Há mais ou menos dez milhões de anos atrás, uma enorme cadeia de montanha surgiu no leste do continente africano. Essa cadeia de montanhas muito alta não mais permitia que os ventos e as nuvens carregadas de água do Oceano Índico passassem para o interior da África. A África ficou dividida, o leste continuou a receber muitas chuvas e a floresta continuou como era. O interior, porém, não recebia mais a mesma quantidade de chuva e a floresta foi se transformando em savana. Na savana, os primatas não podiam mais pular de uma árvore para outra, pois a quantidade de árvores diminuiu muito.

Para não morrer de fome. Os primatas tinham que descer das árvores e percorrer um grande caminho até outras árvores, mas esse trajeto era perigoso, pois existiam felinos que gostavam de carne de primata. Como Darwin explicou, os mais adaptados e fortes, conseguiam enganar os felinos ou correr o suficiente para não serem alcançados foram sobrevivendo e os mais lentos e não tão inteligentes foram virando alimentação de felino. Com o passar dos milênios, os primatas que restaram eram muito espertos e usavam estratégias eficazes para mudar de árvores e conseguir salvar a família em busca de mais alimentos. Esses primatas eram totalmente adaptados para viver em cima das árvores. Possuíam mãos nos membros superiores e inferiores e eram peludos para proteger a pele dos ferimentos dos galhos.

Os hominídeos
Foi há oito milhões de anos atrás que surgiram então, os primeiros primatas que conseguiram correr em dois pés no trajeto de uma árvore para a outra. Correndo de dois pés eles economizavam energia, pois não precisavam movimentar os membros superiores e ainda podiam carregar muito mais filhotes com eles. Foi um grande avanço! Esses novos primatas foram muito especiais, pois eles foram os primeiros animais com características humanas ao andar de dois pés e por isso são chamados de hominídeos.

Entre oito milhões e três milhões de anos atrás, surgiram vários hominídeos em várias regiões diferentes da África. Eles não mais viviam exclusivamente em cima das árvores, viviam no chão, mas ainda usavam as árvores frequentemente para se sentirem seguros, pois eram presas dos felinos.  Várias espécies de hominídeos surgiram ao mesmo tempo no continente africano e todas elas se alimentavam de vegetais, na verdade cada espécie comia sua planta favorita. O planeta Terra muda totalmente o seu clima a cada 20 mil anos mais ou menos, a isto chamamos de Era Glacial. As eras glaciais são mudanças tão bruscas no clima da terra, que o gelo toma conta de quase todo o planeta, o nível dos oceanos diminui vários metros e a umidade do ar abaixa muito também.

Com todas essas mudanças no clima durante as eras glaciais, a vegetação da África mudava também. Como cada um daqueles hominídeos comia basicamente uma espécie somente de planta, com a extinção dessas plantas que eram usados pelos hominídeos como alimento, a forma de vida daqueles hominídeos também mudava bastante até que chegava a um ponto que eles não conseguiam mais sobreviver a tantas mudanças e entravam em extinção.

O Homo Habilis
Há três milhões de anos, um desses hominídeos, chamado Homo Habilis (habilidoso), se alimentava de vários tipos de alimentos. Seu cardápio continha plantas, carne fresca e até carniça. Por ter uma alimentação tão diversificada, ele conseguiu sobreviver as bruscas mudanças climáticas da África, pois quando algumas plantas entravam em extinção, seus descendentes se alimentavam de outras fontes de alimento.

Homo Habilis foi o primeiro hominídeo a suar. O suor foi muito importante na estratégia de sobrevivência, pois com o suor o corpo ficava com a temperatura equilibrada por mais tempo. O Homo Habilis foi habilidoso para criar algumas lanças de galhos. Ele também usava algumas pedras com pontas para rasgar o couro dos animais mortos rapidamente antes de serem encontrados pelos grandes felinos que sentiam o cheiro do animal morto de longe.

O Homo Erectus
Com a carne no cardápio, novas proteínas fizeram lentamente o Homo Habilis desenvolver-se em outra espécie chamada Homo Erectus, a mais ou menos dois milhões de anos atrás. O Homo Erectus foi o hominídeo que mais tempo viveu sobre a Terra (dois milhões de anos). Como o H. Habilis, o H. Erectus também suava. Ele foi o primeiro hominídeo a deixar o continente africano em bandos e povoar outros recantos do planeta. Sabemos que uma parte deles foram para a Ásia, que outra permaneceu na própria África e que uma terceira leva foi povoar a Europa.

O Homo Erectus lascava pedras para fazer lâminas delas como facas. Eles também foram os primeiros hominídeos que descobriram que a gordura de animal podia servir como combustível para o fogo. Podendo assim guardar o fogo em lugares protegidos. Eles usavam também, tochas de fogo para caçar, já que os animais tinham medo do fogo. Banhavam a gordura animal nas tochas. Eles podiam perseguir animais até na chuva, que o fogo não apagava.


O Homo Neanderthalensis
Há mais ou menos 250 mil anos atrás, com um novo ambiente, os grupos de Homo Erectus que tinham ido para a Europa, também deram origem a uma nova espécie. O gelo e o frio fizeram grandes mudanças nos corpos dessa nova espécie chamada de Homo Sapiens Neandertalensis. O popularmente chamado Homem de Neandertal. Os neandertais viviam em grupos nas cavernas da Europa para se protegerem do frio e afugentar animais ferozes. Usavam o fogo para assar a carne da caça, principalmente da rena.  Possuíam o corpo muito parecido com o nosso. Porém, eram mais baixos e fortes.

O Homo Sapiens
Há mais ou menos 150 mil anos, os Homo Erectus que permaneceram na África sofreram muito com as mudanças do clima e quase foram extintos, pois a seca fez extinguir várias espécies de plantas e animais. Com pouquíssimas formas de alimentação, esses Homo Erectus africanos quase desapareceram. Porém dois mil deles, os mais fortes e resistentes, sobreviveram. Eles então passaram a habitar cavernas no litoral.

Essa população de H. Erectus altamente resistente e capaz de se adaptar a novos ambientes passou a se alimentar de animais marinhos. Essas novas mudanças no clima, na alimentação e no estilo de vida foram responsáveis para que esse grupo se transformasse em uma nova espécie após milênios vivendo daquele jeito. Surge o Homo Sapiens Sapiens, a nossa espécie.

Neandertais e Sapiens
Quais eram as diferenças entre a nossa espécie: Homo Sapiens Sapiens (que foi a evolução dos Homo Erectus africanos) para os Homens de Neandertal (que foram a evolução dos Homo Erectus que viviam na Europa)? As diferenças eram poucas realmente. Porém, conseguimos adquirir algo que nenhuma outra espécie tinha conseguido, nem os próprios neandertais: a imaginação.

O fato de nossa espécie conseguir desenvolver um cérebro que tinha capacidade de raciocinar de tal forma que conseguia visualizar mentalmente algo que não existia, foi importantíssimo. A partir daquela etapa, nós poderíamos planejar o futuro. Algo que nem os neandertais, nem os Erectus, e muito menos os outros animais, poderiam fazer. É fácil compreender que as estratégias de caça e de sobrevivência do Homo Sapiens Sapiens eram muito mais eficientes do que a dos Homo Erectus e dos Neandertais. Por isso, as novas ferramentas de osso, as lanças mais finas, de pontaria mais perfeita e de longo alcance, foram táticas que os primeiros humanos da nossa espécie usaram para driblar as dificuldades que a natureza impunha a eles.

Como os Erectus, os humanos modernos, também possuíam o espírito aventureiro, também se aventuravam a descobrir novos territórios e buscar novos alimentos. Os grupos de Homo Sapiens Sapiens então se reproduziram, aumentaram sua população e passaram a formar levas de imigrações que passaram a se dirigir à Ásia e à Europa. Claro, muitos continuaram na própria África. A nossa espécie chegou à Europa e passou a dividir espaço com os Homens de Neanderthal. Na competição pelo alimento, cada vez mais a nossa espécie aperfeiçoava as formas de sobrevivência enquanto que os neanderthais não possuíam essa capacidade de imaginar formas diferentes de vida.

Com o recuo do gelo no fim da última Era Glacial (± 20 mil anos atrás), os Erectus entraram em extinção devido as grandes mudanças no ambiente europeu, asiático e africano. Com as mudanças climáticas, as renas e os outros animais que serviam de alimento para os neanderthais, cada vez mais iam se afastando para o norte em busca do ambiente gelado que mais lhe agradavam. Essa falta gradativa de carne levou ao neanderthais e encontrarem dificuldades maiores com o passar do tempo.

A competição com a nossa espécie que era mais eficiente na caça também fez aumentar os problemas dos neanderthais. Com menos deles para disputar os alimentos que existiam na Europa, cada vez mais o Homo Sapiens Sapiens melhorava sua forma de vida e de caça, tendo condição de absorver muita carne e outros alimentos vegetais. Há mais ou menos 40 mil anos atrás, os últimos neanderthais entraram em extinção e a nossa espécie se tornou a única hominídea do planeta. Todos os outros hominídeos tinham sido extintos pelas mudanças do clima e dos alimentos. Como os outros não conseguiram se adaptar para enfrentar as dificuldades do seu tempo, cada um deles foi entrando em extinção.

Então, há 40 mil anos atrás, nossa espécie: se tornou a única espécie humana no Planeta Terra. A única espécie com raciocínio refinado, com alimentação tão diversificada, que qualquer coisa poderia ser usada como alimento e principalmente com um corpo capaz de se adaptar a qualquer clima da Terra e quando não podíamos suportar o frio ou o calor, usávamos peles de animais costuradas com linhas de tripa de animal e agulhas de madeira. Descobrimos como fazer fogo através do atrito entre dois gravetos. Aquecíamos nossos corpos do frio intenso e protegíamos o bando de animais perigosos, principalmente os lobos. Usamos o fogo para assar a carne, protegemos nossos estômagos dos microrganismos encontrados nos alimentos crus e fornecemos nutrientes ao nosso cérebro que melhoraria ainda mais nossa forma de pensar e enfrentar o mundo.

Com a imaginação, sem concorrentes de verdade, com o fogo, armas de madeira e táticas de caça elaboradas, nossa espécie desenvolveu-se tanto que rapidamente inventaríamos o arco e a flecha. O mundo seria nosso. Mas até que ponto temos a capacidade de preservar o mundo da destruição que nós mesmos acarretamos à natureza? Se podemos saber como foi o processo evolutivo do homem através dos ossos destes antigos hominídeos, como imaginar como seremos no futuro, se a cada dia destruímos nosso habitat, nosso planeta, nossa casa?

O que seremos no futuro?
Será que já aprendemos a viver neste mundo? Será que ao destruir a natureza, nós não estamos destruindo o futuro da nossa própria espécie? Será que não nos damos conta de que o planeta é vivo através de seus animais e plantas e que todos também mudam de acordo com a realidade climática? Será que conseguiremos nos adaptar no futuro a um lugar desmatado, com água poluída e sem a camada de ozônio? Estaremos preparados para isto? Com o “aquecimento global” e com o fim das reservas naturais deste planeta, quais serão os seres vivos mais adaptados que conseguirão sobreviver no futuro? Nós conseguiremos?

Hoje, já podemos identificar inúmeras causas de mortes devido a ação humana. Afinal, as mudanças já começaram. Quantas pessoas morrerão este ano devido ao contato com a poluição, com alimentos impregnados de agrotóxicos, por respirarem por toda vida um ar contaminado. Por asma decorrente de partículas alérgicas? Quantos comem mal, em virtude da baixa produtividade das colheitas e aumento dos preços dos alimentos? Quantos morrerão de câncer devido ao fumo e ao uso de alimentação artificial? Quantos se tornarão deficientes físicos devido as doenças causadas por uma alimentação com produtos químicos, causando infartos do coração ou derrames cerebrais? Quantos morrerão de aneurismas, bronquites, verminoses, doenças sexualmente transmissíveis e inúmeras outras doenças fatais que estão fazendo seres humanos morrerem cada vez em maior quantidade, permanecendo entre nós somente os mais aptos para essas mudanças na forma de vida?

Quase sempre não percebemos, mas quando jogamos um papel no chão estamos poluindo, quando cortamos uma árvore, quando jogamos lixo na rua e quando jogamos uma goma de mascar no chão. Claro que algumas destas atitudes individuais não serão responsáveis diretamente pela morte de ninguém, mas quando todos contribuem para o aumento da poluição, certamente que sim. Por isso a culpa de toda esta ignorância sobre nosso próprio planeta é, também, nossa responsabilidade hoje e sempre.

Por isso, sempre valerá a pergunta: nós temos conhecimento de que contribuímos para essa destruição do mundo? Será que nós temos consciência de que nossos netos ou bisnetos podem fazer parte do grupo de seres humanos que não estarão adaptados para tudo isto? E por fim, o que podemos fazer para que isto não aconteça? A mudança de hábito só pode existir pela combinação de dois fatores: consciência do erro pela informação, culpa ou um trauma com a mudança das atitudes do dia-a-dia, para que os erros se transformem em exemplo para outros. Que verão na prática correta, o incentivo para a mudança.


ADAPTAÇÕES GENÉTICAS

Qual a razão para haver humanos diferentes fisicamente uns dos outros? Por que existem pessoas com a pele branca, outras de pele negra, os asiáticos com a pele amarela, pessoas de olhos puxados, cabelos lisos, loiros, ruivos ou crespos?

Adaptações humanas
Há 40 mil anos atrás, quando os H. Neanderthalensis entraram em extinção, nossa espécie se tornou a única do planeta. Nós, então tínhamos o caminho livre para evoluir ainda mais, já que nossos concorrentes perderam a guerra contra a evolução. Nesta época, nós vivíamos em bandos, isto é, em tribos pelo mundo. Cada grupo de seres humanos então, era como uma família. Nos dividíamos pelo sexo: as mulheres cuidavam das crianças e os homens caçavam e protegiam o bando. Nossos antepassados se deslocaram da África para diversos outros lugares do mundo. Uma parte foi para a Europa e outra parte foi para a Ásia inicialmente. Esses humanos viviam tão distantes uns dos outros, que a vida deles passou também a ser bem diferente. Esses bandos viviam da caça de animais, da coleta de plantas, raízes ou frutas por onde andavam.

Os humanos da África continuaram com a pele negra, pois possuíam grande quantidade de uma substância chamada melanina na pele, para protegê-la do Sol. Eles também possuíam o nariz mais largo, para que o ar quente pudesse esfriar um pouco até chegar ao pulmão, possuíam também o cabelo crespo para proteger o cérebro do Sol escaldante. Os humanos da África eram bem adaptados ao calor, eles conheciam muito bem as táticas de caça dos animais africanos e os lugares onde tinham água seguindo outros animais. Essas e outras adaptações ao ambiente africano, fizeram com que, os humanos africanos conseguissem desenvolver uma forma de vida bem especializada naquele ambiente de Sol escaldante.

Da África para o mundo
Os humanos da Europa foram sofrendo mutações, pois precisaram se adaptar ao novo ambiente mais frio. Por isso, os corpos deles foram sofrendo grandes alterações. A pele não precisava mais possuir grande quantidade de melanina, pois não precisava mais proteger do Sol intenso. Os cabelos não precisavam mais proteger o cérebro do Sol escaldante. Assim, ao longo dos séculos, o cabelo dos europeus foi ficando liso para proteger a cabeça do frio como uma roupa, o nariz foi ficando mais fino para que o ar frio esquentasse um pouco mais até chegar ao pulmão e a cor dos olhos foi ficando mais clara, pois a íris não precisava ser negra para absorver mais raios solares e deixar a visão mais confortável para a pupila.

Na Ásia, os humanos também não precisavam de muita melanina na pele e por isso são chamados de amarelos. Os olhos ficaram puxados para proteger da grande claridade que o Sol reflete na neve. Devido ao frio, seus corpos ficaram menores para não perder muito calor. Seus cabelos também ficaram lisos devido ao frio.

As novas tecnologias
Sendo os únicos representantes do gênero humano no mundo, nossa espécie começou a desenvolver formas de caça muito mais elaboradas. Na África, na Europa e na Ásia, os humanos caçavam grandes animais, como os mamutes. Dá para supor que para isto acontecer com sucesso, precisava-se de uma comunicação para organizar a estratégia de ataque em grupo. E a partir daí, surgem às linguagens primitivas, eram sons que representavam coisas ou ações, não era um idioma como os existentes hoje.

A nossa espécie conseguiu organizar os sons através das cordas vocais e produzir palavras que significavam alguma coisa ou algum objeto que passaram a ser entendidos por todos. A fala extremamente importante, pois deu capacidade de organização muito maior entre aqueles primeiros humanos. Aqueles humanos primitivos descobriram que uma corda feita de tripa de animal presa em uma vara maleável poderia formar um arco, que poderia lançar as flechas que eles já usavam para atingir a caça com lançadores de mãos. Com o arco e a flecha, não era preciso mais se arriscar tanto para matar um animal, poderiam fazer isto de longe e com menos perigo de morte ou de acidentes sérios.

A verdadeira descoberta da América
Segundo alguns estudiosos, os primeiros humanos chegaram à América há 40 mil anos atrás. Eles teriam vindo da Ásia e da África, atravessaram o Estreito de Bering e entraram na América por onde hoje é o Alasca. Outros estudiosos dizem que nossos antepassados vieram em jangadas pelo Oceano Pacífico até onde hoje é o Chile. De qualquer forma, os nossos antepassados começaram a povoar todo o continente americano, do norte ao sul. Devido as diferenças climáticas, o estilo de vida de cada grupo humano passou a ser bem diferente. No norte da América, onde existia muito gelo, os esquimós caçavam focas e ursos, faziam cabanas com ossos de baleias e peles de urso, usavam também as peles de animais para se protegerem do frio intenso como roupas. Nos lugares onde existiam grande florestas, como no Brasil, os humanos viviam nus, usavam a caça, a pesca e a coleta para se alimentar.

Muitos desses primeiros humanos que chegaram onde hoje é à América, viviam se deslocando para outros lugares onde poderiam encontrar mais alimentos e uma vida melhor. Aprenderam quais alimentos eram bons e quais faziam mal para a saúde, quais plantas podiam ser usadas como remédio e como era a vida dos mais diferentes animais. Ao longo do tempo, os índios americanos foram acumulando grande conhecimento das florestas, os índios que viviam na Cordilheira dos Andes, descobriram como viver melhor nas montanhas, os índios da América do Norte, como viver perto de desertos ou até em descampados e os índios do gelo, como viver em um clima abaixo de zero grau Celsius. Cada grupo, observando, aprendendo e repassando os conhecimentos aos descendentes em busca de uma melhor forma de viver no ambiente em que viviam.

Em cada região diferente da América, os grupos de humanos foram descobrindo novas formas de viver. Cada grupo passou a possuir costumes diferentes, as linguagens também eram diferentes entre um grupo e outro. Os americanos desenvolveram em cada região uma forma diferente de sobrevivência. É por isso que os índios da América do norte eram diferentes dos índios da América do Sul. É por isso que os índios que viviam no Andes eram diferentes dos índios que viviam no gelo. E é por isso que no Brasil existiam duas grandes famílias de índios, os Jês e os Tupis. Cada uma das duas famílias possuía milhares de tribos espalhadas por todo o Brasil. Com formas de vida, línguas e costumes diferentes.

Agricultura: uma nova fase
Há mais ou menos quinze mil anos atrás, os humanos descobriram que a semente de uma planta se transforma em outra planta igual a que tinha produzido aquela semente, se fosse enterrada no solo recebesse água. Essa foi uma descoberta sensacional, pois os humanos primitivos poderiam produzir o próprio alimento. A agricultura surgiu em três lugares diferentes da Terra: na Ásia se plantava arroz e soja, na América feijão e milho, no Egito e Mesopotâmia, trigo e cevada. Fazer agricultura era tão importante para aqueles humanos, pois não precisavam mais depender da sorte nem do risco de uma caçada para comer e alimentar os filhos, que geralmente eram desnutridos.

Com a agricultura, poderiam ter a certeza de que comeriam quando houvesse a colheita e poderiam armazenar comida entre uma colheita e outra. Isso era muito importante, pois com a alimentação certa, os filhos seriam mais fortes e capazes de sobreviver às doenças e à desnutrição, que matavam muitos. Para isso, era preciso escolher um local que houvesse água e um solo fértil para o desenvolvimento das plantas. Assim, poderiam deixar de serem nômades, isto é, de se deslocar constantemente atrás de alimento e passar a serem sedentários, isto é, se fixar em um local para cuidar de uma plantação.

Raças e preconceito
Somos uma única espécie humana sobrevivente ao processo de evolução que se seguiu aos mamíferos. Somos todos Homo Sapiens Sapiens. Somos a mais inteligente das espécies de humanos que já existiu, somos o animal com maior capacidade de raciocínio lógico de todo o planeta Terra. Somos seres de cérebros incrivelmente inteligentes, autônomos e criativos. Conseguimos nos adaptar aos mais adversos climas da Terra, nos lugares mais distantes e difíceis. Fomos capazes de mudar nossos corpos para nos adaptarmos melhor ao ambiente em que vivemos até chegarmos ao ponto de mudarmos o ambiente para que ele se torne mais adaptado às nossas necessidades. Hoje mudamos o mundo para nosso benefício.

Somos todos diferentes
Distantes uns dos outros, cada povo acumulou grande quantidade de informações sobre sua região e por isso sobreviveu vencendo as dificuldades. Repassando aos descendentes através das tradições, os conhecimentos acumulados pela prática bem sucedida e pelo erro não esquecido. Surge assim, em cada povo da Terra, a cultura, isto é, o conjunto de conhecimentos, verdades e formas de encarar a vida acumulados desde os primeiros ancestrais para melhor viver no meio ambiente, coletivamente.

Cada cultura tem uma forma particular de pensar sobre as questões humanas diferentemente das outras culturas do planeta. Quando os humanos de um grupo encontravam com outros no passado, sempre se achava estranho a forma “do outro” viver e se vestir. Até a cor da pele era estranha para eles. Claro, no passado eles não possuíam as informações que temos hoje, principalmente com a ajuda da ciência para entender as pequenas diferenças que existem entre cada povo do planeta. Mesmo que saibamos que todos somos diferentes aos olhos dos outros, nos tornamos preconceituosos quando acreditamos que a nossa forma de viver e as nossas verdades são melhores do que as dos outros humanos ou outras culturas. Alguns ignorantes preconceituosos acreditam que existem pessoas piores que eles mesmos. É uma forma limitada de pensar, uma vez que se os outros são diferentes de nós, nós também somos diferentes para os outros e se existem diferenças, essas diferenças não podem ser avaliadas como melhores ou piores e sim como diferenças somente.

Devemos nos ater que quando alguém não entende que as diferenças existentes entre os humanos são benéficas para todos, um dia este alguém também poderá ser incompreendido pelos outros. Julgar “o outro” como melhor ou pior do que nós mesmos, não é tarefa nossa. Somos humanos, todos diferentes uns dos outros e isso é bom. Uns possuem um caráter belíssimo e outros possuem características morais deploráveis. A História dos humanos é insignificante em relação ao nosso planeta. No entanto, estamos contribuindo muito para a destruição do mundo e do nosso próprio futuro quando não respeitamos a natureza dos outros, acreditando que possuímos a verdade dentro de nós mesmos.

Ao longo de nossa própria evolução, nós humanos, aprendemos a dominar e a sermos superiores a tudo e a todos que estavam ao nosso redor. Porém, é chegada a hora de entrarmos em uma nova fase, onde devemos decidir se realmente queremos destruir o planeta e outros da nossa espécie pela violência do preconceito. Queremos continuar agindo assim? Melhor, devemos nos perguntar se temos este direito. Temos esse direito?

Somos todos melhores e piores, somos todos mais e menos bonitos, somos todos mais e menos ricos, somos todos mais e menos felizes. No entanto, devemos todos sermos justos, principalmente como outros da nossa espécie, independente do lugar de onde vieram, da cor de sua pele, do formato de seu nariz, da forma de seu cabelo ou da cor de seu olho ou da língua em que se comunicam. Devemos sermos justos conosco, ao saber que não possuímos a mínima condição de dizer quem realmente é melhor ou pior que o outro, uma vez que também somos o outro. Por que as diferenças físicas que existem entre os humanos não têm a ver com ser melhor ou pior e sim com as mudanças do corpo para se adaptar as diferentes regiões de nosso planeta.


A INVENÇÃO DAS DESIGUALDADES

Por que vivemos em cidades? Como elas surgiram e qual a razão de existir regras para todos os integrantes de uma cidade?

O homem natural
Vivemos em cidades há milênios, hoje existem regras que todos devem seguir. Mas quando isso iniciou? Bom, se voltarmos muito ao passado, podemos ver que antes das cidades surgirem, os humanos viviam em um mundo de incertezas, naturalmente no meio ambiente. As doenças, os desastres naturais e principalmente a fome eram condições terríveis para os humanos antigos. O medo de animais ferozes e da morte eram fatores que faziam o homem buscar soluções para uma vida melhor. É por isso que as primeiras cidades surgiram em locais onde a vida era muito difícil, como as regiões desérticas. Nesses lugares, onde a água era pouca, ficar perto de um rio era a garantia de não morrer de sede e de colher o que havia sido plantado.

A colheita da agricultura era a grande preocupação daqueles humanos, que passaram a reunir suas tribos em pequenas comunidades. Com o aumento da população nestas comunidades, crescia a quantidade de pessoas para comer. Para aumentar a agricultura, canais de irrigação (que levava a água dos rios para lugares distantes, onde não haviam formas de irrigar as plantações), tiveram que ser construídos. Para organizar essas obras para o povo, isto é, obras públicas, era necessário ter organização e liderança. Os chefes das antigas tribos, geralmente os homens mais velhos, passaram a organizar diversos tipos de obras que beneficiava a vida das pessoas destas novas comunidades. Em troca, eles tinham poder de organizar e decidir sobre quais obras eram necessárias e como fazer para executá-las.

Com o passar do tempo, impostos precisaram ser criados para que as obras continuassem, já que os funcionários que faziam as obras acontecerem não podiam viver como agricultores. O povo então passou a pagar um pouco de sua produção agrícola para os funcionários do líder, em troca de melhorias na sua região. Quando existiam enchentes ou secas, o chefe fornecia alimento para toda a região afetada. O líder passou a ter tanto poder que quando ele morria, seu filho herdava esta tarefa, surgem os reis! 


Os reis então começaram a perceber que todas as riquezas que eles administravam pagos pelo povo em forma de impostos gerava cobiça em outros líderes que poderiam atacá-los. Os reis descobrem que para proteger toda a riqueza que eles recolhiam dos camponeses, eles precisavam de guerreiros que pudesse proteger a riqueza acumulada, surgem os exércitos! Estes mesmos reis criando grandes exércitos para proteger seus reservatórios de alimentos dos inimigos que poderiam atacá-los se sentem tão confiantes no seu poder que percebem que poderiam dominar outras regiões e com as riquezas e impostos destes novos territórios, poderiam aumentar seus territórios e ficarem mais poderosos ainda, surgem às guerras!

Na guerra, cada um dos dois lados tenta derrotar o inimigo com a maior quantidade de mortes, tentando deixar o exército oposto mais fraco para ser dominado. Como o inimigo também precisa matar a maior quantidade de homens possíveis, quando um dos dois lados percebe que não pode mais vencer o opositor, a vitória é selada entre os dois reis. Porém, os soldados que foram derrotados não possuem mais direito sobre a vida, uma vez que ali estavam também para matar. Assim, o exército vencedor em vez de matar o inimigo, o “presenteia” com a vida, porém não mais em liberdade. Os soldados perdedores, não serão mortos, mas servirão aos vencedores da guerra até sua morte, surgem os escravos!

As primeiras cidades eram locais onde existia um líder poderoso e vários funcionários que executavam suas ordens. Existiam pessoas que conseguiam riqueza pela produção agrícola, comércio de produtos agrícolas com outras regiões ou saqueando outras cidades derrotadas nas guerras. O povo que somente trabalhava para seu próprio sustento em sua plantação vivia em condições precárias.

As regras das cidades
Como muitas pessoas passaram a viver juntas no mesmo local, os líderes tiveram que fazer regras para que a ordem não fosse desrespeitada. Por isso, surgem as leis! As leis existem para que nós humanos, possamos viver juntos sem agredir as outras pessoas com nossas ações individuais. Por isso é proibido matar e roubar, por exemplo. Cada cidade então passou a fazer suas regras. Na Grécia antiga, algumas cidades perceberam que se o líder fosse eleito pelo voto, ele poderia trazer mais benefícios para os habitantes, pois ele tinha consciência de que iria sair do cargo em um tempo programado. Já um rei poderia não pensar assim, pois poderia tomar qualquer atitude em seu cargo, que seu poder estava garantido até sua morte. Os gregos inventaram um governo onde o líder seria escolhido pelo voto dos cidadãos e que este governaria por alguns anos, surgia a democracia!

Um século antes do nascimento de Cristo, outra cidade chamada Roma, conquistou tantos territórios que se tornou um grande império. Os líderes romanos criaram regras muito rígidas em suas cidades. Eles possuíam juízes, advogados e fóruns, onde os problemas entre os cidadãos eram discutidos e resolvidos. A polícia também era usada para que as regras fossem respeitadas e se alguém fosse condenado, ficava privado da liberdade como punição, surgiam as prisões! O homem deixou de viver na natureza naturalmente como os animais e inventou novas formas de vida em grupo. Para viver em grupo os humanos tiveram que inventar regras para que ninguém pudesse agir contra outros e para que outros não pudessem agir contra ele. Surgem os direitos e os deveres de cada um que vive em sociedade, e consequentemente, as punições para quem desrespeita as regras que servem para todos!

As cidades de hoje
Hoje, as cidades possuem muitas normas que tentam manter as sociedades do mundo inteiro sem distúrbios ou sem conflitos entre os seus habitantes. A cidade é o espaço onde se encontram ricos e pobres, pessoas de vários países do mundo, homens e mulheres, de várias etnias, culturas e opções religiosas e sexuais. Já sabemos que não somos iguais uns aos outros e que as diferenças devem ser respeitadas por todos, pois é através das diferenças entre as pessoas que podemos encontrar soluções diferentes e mais eficientes para a vida em sociedade.

A maioria das cidades de hoje, possuem governos que são divididos em três poderes iguais. O Poder Executivo, que é representado pelos que executam as melhorias para todos, que administram a cidade através das leis para o povo, respeitando as tradições e os costumes. A Constituição é o conjunto de leis que foram discutidas e aprovadas pelos representantes do povo, que fazem parte do Poder Legislativo. O Poder Legislativo é responsável por votar novas leis ou mudar leis antigas. Nas cidades, os integrantes do Poder Legislativo são os vereadores; nos Estados, são os Deputados Estaduais; os representantes do Legislativo para todo o País são os Deputados Federais e os Senadores. Para julgar as ações do Executivo e do Legislativo, existe o Judiciário.

O Poder Judiciário julga também os cidadãos que desrespeitam as leis, e decide através das próprias leis as disputas entre os cidadãos. Fazem parte do Por Judiciário, os Promotores de Justiça, que acusam; os Advogados, que defendem e os Juízes de Direito, que julgam quem está certo e quem está errado segundo as leis vigentes. Essa estrutura levou séculos para ser desenvolvida e a maioria dos povos e nações estão submetidos a ela no mundo atual.

A importância da cidadania
Não foi sempre assim. Na Idade Média, os donos das grandes propriedades da Europa, os Senhores Feudais, mandavam em tudo e em todos dentro de seu feudo, decidiam sobre a vida e a morte de todos que dele dependiam. Desde a Antiguidade, a escravidão foi usada para obter trabalho gratuito em troca do benefício da vida para quem deveria morrer segundo a visão da época. Porém, em nossa sociedade já existem leis que proíbem a escravidão. Nossa sociedade também dá o direito a todos de defesa judicial e julgamento público. Na Europa da Idade Moderna, os reis poderiam mandar enforcar quem eles achassem necessário, e absolver quem lhe convivessem.

Mesmo que nossa sociedade não seja uma sociedade totalmente justa. Mesmo que no Brasil os ricos são muito ricos e os pobres são muito pobres e que os pobres são maioria, avançamos muito. Mesmo assim, se quisermos uma sociedade realmente justa, precisamos que as diferenças sociais não sejam tão grandes. Precisamos que não exista pobreza.

Miséria, a chaga humana
Onde não há pobreza, não há analfabetos. Os cidadãos recebem educação e estudam em boas escolas. Assim, eles conseguem bons empregos e podem dar boas condições de vida e de educação para seus filhos, que também farão a mesma coisa com seus próprios filhos. Mas para quem vive em um país onde há pobreza, só resta o voto e o trabalho para melhorar a situação do presente.

Geralmente, grande parcela do povo não está habituada a participar da vida política de seu país diariamente, só faz isso em época de eleição por que há interesse particular envolvido na maioria das vezes. Em países desenvolvidos realmente, o povo é politizado e acompanha a política como se acompanha a novela nos países em desenvolvimento. Nos países em que o povo é politizado, a maioria tem a possibilidade de saber se realmente o seu representante político será bom ou ruim para toda a nação ou toda a cidade. Sabem disso acompanhando a trajetória política do seu escolhido na vida pública por toda a vida. Acompanhando as ações políticas e a vida pública de seus representantes, cada cidadão poderá saber o que seu representante faz quando representa o povo no Poder Executivo ou no Poder Legislativo. É o chamado voto consciente.

Votar errado pela primeira vez não é um problema tão grave quando se acredita na integridade de alguém, mas votar conhecendo as atitudes dos candidatos é que faz toda a diferença, para não repetir o erro. Alguns políticos falam e prometem. No entanto, não são todos que pensam na melhoria do país para toda a nação. Muitos representam empresas e organizações criminosas. É por isso que precisamos saber bem quem são os políticos antes de eleger alguém. Pois são os políticos que fazem as leis, são eles os nossos vereadores, deputados, prefeitos, governadores e Presidente da República. Cada um deles possui duas opções quando são eleitos: escolher se trabalharão para o povo ou para si próprios. Serão políticos honestos ou corruptos?

Precisamos saber votar em nossos representantes, pois isso é mais sério do que imaginamos. Precisamos conhecer a vida pública dos políticos como conhecemos a vida pública de nossos colegas e familiares. O voto deve ser encarado como uma oportunidade para melhorar a situação do país como um todo, não do que será melhor para mim ou para você e sim do que será melhor para todo o Brasil, para toda a cidade, para todo o povo brasileiro.  A única forma de fazer isso é acompanhar a política, pois alguns políticos aprendem a falar bonito e depois de vencidas as eleições, protegem seus interesses particulares e de quem lhe financia as campanhas eleitorais.

Quando um político se torna corrupto, indiretamente todos que votaram nele são responsáveis pela corrupção cometida indevidamente pelo homem ou mulher que foi corrompido em busca de enriquecimento ou poder. Claro que não se pode culpar ninguém pelo crime de outro, no entanto quando não se conhece o passado de algum político corrupto, que claramente faz política para outros que não para o povo, se está cometendo um grande erro. Uns erram pela ingenuidade, outros pela ignorância e outros por que esperam lucros próprios, estes também são corruptos como os próprios políticos que se vendem.

Só não se corrompe quem é de boa índole ou quem possuem ideais honestos de vida. Uma família harmônica e uma educação de qualidade pode gerar cidadãos que só trarão bons frutos para toda a sociedade. Quando se busca o ganho pessoal em prol do atraso para todos, este está corrompendo as regras da vida em sociedade e nela não merece permanecer e desfrutar de seus benefícios. Sendo um criminoso ou contribuindo para que outro pratique o crime, aos que se corrompem nossa sociedade pune com a privação da liberdade, a prisão.

Por fim, ao votar é preciso agir com boas intenções e praticando a boa índole, tão louvada pelo povo de todo o grande Brasil. Quando se vota com esperança e confiança em um futuro melhor, não se deve fazer isso por intuição, ou por uma propaganda bem feita na TV e sim pela consciência e crença naquele que se dispõe a nos representar e liderar os rumos de nossa sociedade. Contudo, a única forma de votar de forma pura, visando o bem coletivo é acompanhar o que os políticos atuais estão fazendo hoje. Para que em época de eleições, quando eles pedirem votos pela TV, poderemos diferenciar pela própria razão quem será melhor para todos nós.


RICOS E POBRES

Antes de qualquer coisa, precisamos dizer de qual riqueza estamos falando. Uns são ricos de sentimentos, outros são ricos em generosidade, alguns são ricos em caridade e existe até os milionários que pregam o amor como a melhor forma para a convivência humana. Porém, a riqueza que ainda nos preocupa é a que está relacionada com a sobrevivência no mundo: o dinheiro. Ter ou não ter dinheiro em nossa civilização moderna ainda é, frequentemente, a base para ser ou não ser respeitado, estar ou não estar bem alimentado, possuir ou não possuir condições de acesso à saúde e ser ou não ser um profissional bem remunerado após décadas de estudos especializados por uma educação de qualidade. O problema é que dependendo do lugar onde se nasce, a vida pode ser bem diferente, podendo ser uma vida de bem-estar ou de desemprego e até morte por fome. É por isso que muitos se perguntam: por que existem nações ricas e nações pobres? E assim, indagamos: por que o Brasil não é um país rico também?

As tribos
Inicialmente, antes do surgimento das primeiras cidades, os humanos viviam em tribos. Essas tribos viviam espalhadas pelo planeta. Em todos os continentes existiam grupos de seres humanos vivendo, se alimentando, enfrentando animais ferozes, secas terríveis, enchentes e todo o tipo de dificuldades existentes em uma época que o homem vivia como os animais, naturalmente. Nesta época, as pessoas das tribos viviam da agricultura e tudo o que colhiam era distribuído por todos. Alimentos e terras não possuíam donos, tudo era de todos. As pessoas das tribos respeitavam o homem mais velho, que geralmente era o avô ou pai dos membros da tribo. Todas as tribos viviam basicamente da mesma forma, nenhuma possuía poder ou riqueza para oprimir outra comunidade.

Mesmo assim, a evolução das tribos para as cidades dividiu as pessoas. A quantidade de pessoas aumentou muito e o líder não era mais parente de todos. Estes líderes também passaram a controlar funcionários e cobrar impostos para fazer obras públicas, proteger e dominar a todos com seus exércitos. Nesta época, começou a surgir, então, a diferença entre ricos, pobres, livres e escravos. Com as cidades se desenvolvendo, as novas possibilidades que surgiram para os líderes, permitiram que eles aumentassem seu poder. A agricultura melhorou, e por isso, eles passaram a arrecadar mais impostos, fizeram grandes obras e investiram nos seus exércitos para se proteger do ataque de outros líderes inimigos. Começaram então, a surgir diferenças entre cidades mais ricas e cidades mais pobres. Geralmente as mais ricas dominavam as mais pobres, surgindo assim, os primeiros reinos e impérios. E por consequência uns mais ricos e outros menos poderosos.

Os impérios antigos
Na Antiguidade, existiram vários impérios importantes, como o egípcio, o babilônico e o persa. Todos estes impérios eram grandiosos e tinham cada um, uma História de grandes vitórias. As culturas destes grandes territórios eram muito avançadas para a época e muito do que foi descoberto por eles naquela época, foi importante para a evolução da humanidade.

No século 3 a.C., a Grécia não formava um império, ela era dividida em cidades independentes ainda. Porém os macedônicos, “primos” dos gregos, que viviam ao norte da Grécia, invadiram seu território e dominaram toda a região. Um jovem príncipe macedônico chamado Alexandre, após a morte do pai acreditou que poderia derrotar os persas e por isso marchou com seu grandioso exército até a Pérsia.

Alexandre, o conquistador
Alexandre, o Grande conquistou a Pérsia, o Egito e todo o Oriente Médio, incluindo toda a Grécia, e só não conquistou a Índia porque seus soldados não aguentavam mais e pediram para voltar após quase dez anos longe de casa. Na volta Alexandre morreu e seu novo império foi dividido entre seus generais mais próximos.

Conseguimos perceber então, que na Antiguidade as cidades mais ricas poderiam se transformar em grandes impérios e que os impérios que possuíam os exércitos mais poderosos poderiam dominar outros. Assim, os homens se dividiram não só entre ricos, pobres, livres e escravos na Antiguidade, mais também entre impérios poderosos e regiões mais pobres.

O Império Romano
Enquanto Alexandre, o Grande conquistava o Oriente, uma pequena e pobre cidade se desenvolvia. Roma estava no centro da Itália. Através do comércio e da agricultura, os romanos uniram forças e poder. Para se proteger, formaram um exército. E como acontece no início de todo império, começaram a conquistar as cidades vizinhas. A cada nova conquista mais riqueza, mais impostos e mais escravos chegavam a Roma. O exército recebeu mais recursos, aumentou seu tamanho e sua força. No final do século 3 a.C. a cidade de Roma já tinha dominado toda a Itália. Começava a história do mais importante império da Antiguidade, o Império Romano.

Os romanos conseguiram dominar mais que todo o império que foi um dia de Alexandre. Porém, outra cidade se desenvolvia também com grande força, se tornando uma potência como Roma, era Cartago. Fatalmente, estas duas cidades da Antiguidade decidiram o destino de seus impérios em duas guerras no século 2 a.C. As “Guerras Púnicas” foram vencidas pelos romanos, mas por muito pouco, os cartagineses (Punos) não foram vitoriosos e destruíram Roma. Sem inimigos à altura, os romanos dominaram toda a Europa, derrotando as tribos bárbaras e pequenos reinos. O Império Romano no século 2 d.C. era imenso, ia desde onde hoje se encontra a Inglaterra até onde hoje chamamos de Oriente Médio. Isso significava quase tudo que eles conheciam naquela época. É como se eles tivessem conseguido dominar todo o mundo.

Na maioria das vezes, os romanos deixavam que as diferentes regiões continuassem com seus reis e com suas tradições, porém todos deviam obediência a Roma e deviam aceitar as leis romanas, além de pagar tributos, fornecer escravos e alimentos para o Império. Claro que isso foi bom somente para os romanos, pois para os povos dominados era horrível, uma vez que, os romanos eram cruéis com rebeldes.

Mesmo assim, os romanos formaram uma sociedade e uma cultura tão sofisticada e complexa que muitas regiões dominadas tentaram se adaptar realmente, outras chegavam mesmo até a tentar se tornar romanas de fato. A música, a poesia, a história, a política, a língua, o direito, a administração, as leis, a cultura, a arquitetura, o teatro, o esporte, a dança, o exército, enfim, os romanos nos deixaram tantas contribuições que nós vivemos hoje em um mundo moderno, mas que não seria assim se não tivesse existido o Império Romano no passado. Até nossa concepção de família, de herança, de propriedade privada é basicamente romana. Porém, em um aspecto somos muito diferentes dos romanos: eles não valorizavam o comércio, muito menos o enriquecimento através do lucro entre a compra e a venda. Para os romanos a verdadeira riqueza vinha da terra, da agricultura e da criação de animais das propriedades patrícias (ricos). Eles encaravam os mercadores como pessoas menores ou até mesmo como aproveitadores sem mérito.

Quando o Império Romano começou a passar por muitas dificuldades, principalmente quando surgiram problemas políticos, econômicos e invasões dos povos bárbaros entre o século 3 e 5 d.C., viver nas cidades romanas se tornou muito perigoso e caro. Os prefeitos das cidades precisaram aumentar muito os impostos cobrados dos cidadãos para poderem continuar a administrarem as cidades. Os ricos do Império se deslocavam para as suas propriedades agrícolas nas áreas rurais, para fugir dos altos impostos das cidades. Os que não possuíam terras se abrigavam nas terras dos senhores romanos em troca de trabalho gratuito. Para um pobre romano era melhor viver no campo trabalhando para algum senhor gratuitamente, do que viver na penúria nas cidades romanas.

Alguns séculos depois, o Império Romano deixou de existir, a destruição causada pelo caos econômico, militar e político fizeram com que muita gente das cidades passasse a viver no campo definitivamente. Os ricos em suas propriedades e os pobres trabalhando para eles em troca de proteção contra os impostos das cidades e dos bárbaros invasores. É assim que surge a divisão social da época Feudal: Nobres protegendo e servos trabalhando.

O fim do Império, mas não dos ricos
Perto do ano mil, povos do norte da Europa chamados de Normandos (Vikings) começaram a atacar toda a Europa. Quando atacavam, eram violentos, destruíam, matavam e saqueavam as regiões que podiam alcançar. Muitos ricos, ou seja, Senhores Feudais passaram a construir castelos de pedra nas suas propriedades para se defenderem dos ataques daqueles povos guerreiros.

Na Idade Média, durante o feudalismo, a propriedade (que se chamava feudo) dos senhores era praticamente independente. Lá se produzia quase tudo do que eles precisavam. O comércio quase não existia e a quantidade de moedas era muito pouca. Dentro de seu feudo, o senhor era o único que podia decidir sobre tudo e sobre todos, ele era a lei. Os servos eram obrigados a trabalhar para o senhor e ainda pagar vários impostos ou taxas. Em troca, vivam em cabanas miseráveis de madeira e palha, a alimentação era à base de mingau de aveia ou trigo por toda a vida, a carne era um luxo para eles e o mel da floresta era raro. A morte prematura era relativamente comum entre os servos, quem chegasse aos trinta anos podia agradecer pela sorte. Os servos possuíam somente seus filhos (sua prole), por isso eram chamados de proletários. O trabalho diário era chamado de jornada.

Um novo mundo e a mesma desigualdade
Quando os povos europeus da época do feudalismo descobriram que podiam navegar em busca das especiarias que eram produzidas no Oriente, tudo mudou para eles. Os antigos senhores, juntamente com mercadores, passaram a investir nas viagens marítimas para lucrar com o comércio de pimenta-do-reino, cravo, canela, porcelana, tecido de seda, isto é, das especiarias das Índias, que custavam muito caro na Europa (1 kg de pimenta-do-reino valia mais que 1 kg ouro). Para chegar às Índias, era preciso navegar, e navegar naquela época não era como navegar hoje. Os europeus não possuíam técnicas de navegação desenvolvidas que pudessem garantir a ida e a volta com segurança no Oceano Atlântico. Não existia nem longitude ainda! Por isso, os investimentos em navios e em novos instrumentos de navegação receberam muita importância dos investidores que estavam de olho nos lucros do comércio de especiarias das Índias na Europa.

No século 15, vários tipos de navios foram inventados, como a caravela e a nau. A latitude, a longitude, os mapas geográficos, as correntes marítimas do Oceano Atlântico e até os ventos precisaram ser estudados pelos navegadores para que as longas viagens pudessem acontecer. Foi neste contexto que o italiano Cristóvão Colombo chegou à América, e o português Pedro Álvares de Cabral chegou ao Brasil.

Navegações do séc. XV
Como Colombo estava trabalhando para os espanhóis e Cabral para os portugueses, a América foi dividida entre estes dois territórios. A Espanha, no entanto, logo achou grandes minas de prata na América e se tornou muito rica no século 16, enquanto Portugal conquistou toda a costa da África, conseguindo ouro, marfim e escravos. Portugal descobriu e dominou por pouco tempo o valioso comércio de especiarias das Índias, além de assegurar o domínio do Brasil, sua grande colônia.

Países e nações
Na Europa, as nações mais ricas do século 16 eram Portugal e a Espanha, pois tinham conseguido dominar territórios que deram muito lucro. Foi a busca pelo lucro no comércio internacional que fez com que os antigos nobres que viviam divididos em feudos, desejassem a unificação de seus povos sob a liderança de reis que tivessem força para promover o desenvolvimento de todos, principalmente do comércio e das navegações para a América. Naturalmente, surgiram os territórios controlados pelos reis, os países. Diferentemente do país, que é somente um território governado por um mesmo governante, a nação é a união de todos que possuem a mesma cultura, as mesmas tradições, a mesma etnia. É por isso que existem várias nações indígenas no Brasil, que é um território governado pelo mesmo governante: um país. Mesmo estando em um mesmo território, em um mesmo país, as várias etnias dos índios são diferentes entre si, inclusive de nós. Por isso, no Brasil, que é um pais, existem várias nações. No Brasil existem mais de 180 línguas diferentes! Mas oficialmente, só o Português é a língua de todos os brasileiros.

Na Europa, os antigos territórios feudais independentes, se tornaram nações, onde os povos de mesma etnia, tradição e cultura, foram unificados em um mesmo território, um país, sobre a liderança de um rei. É por isso que existem grandes e pequenos países, mas todos possuem uma ou mais de uma língua, tradições próprias, formando assim, dentro de cada país, a nação, ou as nações. A Suíça possui três línguas faladas pelo seu povo atualmente: o alemão, o francês e o italiano. Cada uma dessas regiões na Suíça é diferente pelas tradições e culturas, mas todos vivem sob um mesmo território governado por um mesmo governante. Por isso a Suíça é um país. Com a formação dos países na Europa, as guerras entre estes países se tornaram inevitáveis, sempre os mais fortes dominando os mais fracos, sempre disputando algum território ou alguma riqueza para se tornarem ainda maiores e mais fortes. Podemos dizer que o grande mal da humanidade é a ganância. Ela é a mãe de todas as guerras.

Admirável mundo novo
No século 18, comerciantes ingleses passaram a construir fábricas para vender tecidos de lã. Os grandes criadores de ovelhas gostaram e expulsaram todos os pequenos agricultores à força de suas pequenas propriedades nas áreas rurais. Então os grandes criadores de ovelhas vendiam lã para os donos das fábricas, que vendiam muitas roupas de lã para os ingleses. A produção aumentava e muitos trabalhadores eram contratados para trabalhar nas fábricas. Eles chegavam a trabalhar 20 horas por dia, viviam nos subúrbios das grandes cidades miseravelmente. As fábricas lucravam cada vez mais e a produção de tecidos passou a ser exportada para toda a Europa.

Após a formação dos países, os reis se tornaram pessoas muito poderosas, eles eram absolutos, isto é, eram os únicos que possuíam o poder verdadeiramente. Todos estavam submetidos ao seu governo, a sua vontade e a sua visão de mundo. Claro que os nobres apoiavam os reis absolutos e os reis apoiavam os nobres, afinal, todo rei era um nobre também. O comércio estava se desenvolvendo muito nos países europeus. Os reis faziam políticas para defender cada vez mais seus produtos e os grandes comerciantes de seus países. Porém, ainda existiam limitações para o comércio, o que para os grandes comerciantes não era tão bom para os negócios. Os comerciantes passaram então a pensar que se os reis não possuíssem tanto poder para interferir na economia, isto é, nas regras comerciais eles poderiam lucrar mais, pois poderiam vender para quem quisessem, onde bem entendessem. Só que para acabar com o poder dos reis, seria necessário mais do que vontade, seriam necessárias revoluções.

Como já foi dito, o feudalismo já não dominava a vida europeia, porém os pobres ainda viviam como os antigos servos. A grande maioria das pessoas que habitavam os territórios governados pelos reis absolutos na Europa, era miserável. Analfabetos eram obrigados a trabalhar para os nobres, muitos não conseguiam nem o alimento da própria família. A fome na Idade Moderna fazia parte do dia-a-dia de todo o pobre, inclusive de seus filhos.

As Nações Europeias do Século 19
A França, a Bélgica, a Alemanha e a Inglaterra começaram a se desenvolver, pois o surgimento de inúmeras fábricas passou a gerar muita riqueza dentro desses territórios com a venda de produtos industrializados. No século 19, a Inglaterra lucrou muito vendendo tecidos para todo o mundo. O lucro de seus comerciantes era destinado para inventar novas máquinas, melhorar os meios de transportes e de comunicações, para aumentar a produção, escoamento de produtos e enriquecer ainda mais. Na França, o país estava endividado e seus comerciantes não possuíam liberdade para praticar o comércio como os ingleses faziam.

Em 1789, os grandes comerciantes (burgueses) aproveitaram a insatisfação do povo pobre e explorado para liderar uma revolta contra o rei, o clero e os nobres. Foi a chamada Revolução Francesa. O povo francês tomou as ruas de Paris e de toda a área rural da França. Vários nobres foram assassinados ou fugiram. O rei Luís 16 foi preso e depois guilhotinado, o mesmo acontecendo com a rainha Maria Antonieta meses depois. Porém, quando os burgueses conseguiram o poder político, excluíram o povo da revolução e fizeram todas as reformas necessárias para o mundo do comércio, deixando o povo na mesma miséria de antes e longe do poder.

No fim do Século 18, os burgueses ainda dominavam o governo da França. Eles colocaram o general Napoleão Bonaparte no poder para terminar o processo da revolução iniciada em 1789. Napoleão uniu os franceses com o apoio do povo e dos burgueses. Através de grandes reformas, transformou a França em uma potência militar e econômica, melhorando muito a vida do povo e dos comerciantes. Seu exército era tão disciplinado e poderoso, que praticamente toda a Europa foi conquistada por ele. A França formou um grandioso Império e Napoleão era seu imperador no início do século 19. Com a França dominando praticamente toda a Europa, os ingleses só não foram conquistados por Napoleão por que a marinha inglesa era melhor do que a francesa. E já que a Inglaterra fica em um arquipélago chamado Grã-Bretanha, Napoleão preferiu dominar a Rússia e acabou sendo surpreendido e derrotado pelo terrível inverno polar russo, o exército de Napoleão não estava preparado para batalhas em temperaturas abaixo de zero grau Celsius.

Após a derrota de Napoleão na Rússia, seu exército se tornou fraco e logo foi dominado. As nações tornaram-se independentes novamente e passaram então a formar governos que visavam os interesses exclusivamente do comércio, isto é, dos burgueses. Porém, diferentemente dos antigos reis absolutos, os novos governantes praticavam o liberalismo econômico, isto é, deixavam à economia seguir livremente, sem grandes interferências do governante. Assim, os comerciantes ficavam livres para decidir como comprar, produzir e principalmente, onde vender. Diferentemente da Idade Média, onde os nobres formavam o grupo que dominava a sociedade, no século 19 o grupo que passou a dominar a economia e a política na Europa foi a burguesia, com seu comércio e sua forma de gerar riqueza, o lucro.

Os impérios modernos
Após a derrota de Napoleão Bonaparte, a Inglaterra “das fábricas”, do comércio e dos empresários pôde se desenvolver sem concorrentes poderosos. A produção das fábricas inglesas foi fenomenal e muitas descobertas surgiram através dos investimentos burgueses: o trem e o navio à vapor, a eletricidade e milhares de descobertas que hoje ainda são promovidas com o único intuito de aumentar as vendas para gerar mais lucros e aumentar a riqueza. Ingleses e outros países europeus se desenvolveram tanto que chegaram ao extremo de dominar outros países da África e da Ásia, obrigando estes países a serem colônias para fornecer matérias-primas e comprar seus produtos industrializados. Contudo, a disputa entre estes países europeus começou a ficar grande demais. Seus governos burgueses sempre buscando mais lucro para aumentar a riqueza nacional, começaram a se armar por temer o engrandecimento de seus vizinhos, ou rivais.
  
No início do século 20, os países europeus possuíam muitas indústrias e sua produção gerava lucros gigantescos. Junto com os grandes lucros surgiu o medo de perder tudo. Foi com base medo que os países europeus começaram a desenvolver pesquisas científicas para a fabricação de novas armas de guerra. Todos os países europeus enriquecidos pelo comércio mundial se armaram até os dentes. Inevitavelmente com tanta ganância, com tantas armas e com tanto dinheiro em jogo, só uma guerra poderia ser esperada para decidir vencedores e perdedores. Assim um simples tiro na Sérvia, que era um território dominado pelo Império Austro-húngaro deu origem a 1ª Guerra Mundial, pois existiam grandes países que defendiam a Áustria e outros que defendiam a Sérvia. A Europa foi destruída entre 1914 e 1918.

O império invisível
No século 19 eram os ingleses que formavam o maior império do mundo, com várias colônias, vendendo os produtos industrializados de suas inúmeras fábricas para outras regiões. No século 20, os empresários americanos é que se tornaram verdadeiramente poderosos. Foi na 1ª Guerra Mundial que os Estados Unidos desenvolveram enormemente suas indústrias. Era tudo o que os empresários americanos precisavam. Enquanto seus concorrentes na Europa se destruíam, os Estados Unidos vendiam tudo o que suas indústrias produziam para os próprios europeus em conflito. Após quatro anos em guerra, muitos países europeus deviam muito dinheiro aos americanos, pois tinham importado muito para vencer a guerra.

Poucos anos depois, surge a 2ª Guerra Mundial e tudo acontece de forma semelhante. Os americanos vendem muito a alguns países europeus, emprestam dinheiro a outros, ajudam seus aliados na guerra e após o término dos combates, conseguem a supremacia mundial, isto é, se tornam o país mais rico do planeta pela forma como cresceu durante a guerra européia. Em 1945 terminou a 2ª Guerra Mundial e o mundo passou a ter uma grande potência capitalista, um grande império: Os Estados Unidos da América. Desde esta época até os dias de hoje, o poder militar e econômico americano moldou muitos países que buscam no maior país do mundo um aliado e parceiro comercial. Muitos países vendem seus produtos para os americanos e compram também muito deles.

Vários aspectos da cultura americana fazem parte do dia-a-dia de inúmeros povos e países do mundo. Uma grande quantidade de produtos industrializados americanos também está ao nosso redor. Incontáveis de nós falam inúmeras palavras em inglês, vêem filmes americanos e buscam neles, nossos parâmetros. O fato de vivermos, de certa forma, como vivem os americanos, comprar seus produtos, ver seus filmes e defender seus ideais, para muitos é o mesmo que ser colonizado. Mesmo que aqui no Brasil não haja militares americanos bombardeando ruas e praças, alguns acreditam que não somos independentes e sim dependentes da riqueza e do poder do maior país do mundo. Para alguns, isso é bom e para outros, nem tanto.


PARA ONDE VAMOS?

O modelo de vida ao qual vivemos hoje, liderado pelos Estados Unidos e países europeus ocidentais, é único na História da humanidade. Nunca houve uma época sobre a face da Terra onde houvesse tanta abundância e tanta riqueza. O rápido desenvolvimento tecnológico humano fez ou faz parte da rotina de qualquer um que tenha vivido no Século 20. Nunca os humanos foram capazes de produzir tanta comida a ponto de precisarem de especialistas que lhes ensinasse a comer menos; nunca os humanos possuíram meios de transporte tão eficientes que pudessem fazer alguém girar o mundo em um único dia; nunca na História da humanidade fomos capazes de nos comunicar de forma instantânea como fazemos na atualidade. Os benefícios que constatamos a cada dia neste começo do 21º milênio, são evidentes a todos que possuem TV em casa ou internet na palma da mão. Nunca a expectativa de vida humana foi tão elevada, pois a medicina e os hábitos de higiene proporcionam uma vida mais longa à nossa espécie. Hoje vivemos 70 ou até mais de 90 anos e no futuro viveremos ainda mais. Quem pode prever o que a ciência poderá proporcionar a vida humana?

Sempre na História do homem o conforto foi privilégio de alguns muito ricos. Hoje, qualquer um que possua um emprego razoável, poderá mobiliar uma casa confortavelmente e pagar por isso em inúmeras prestações. Alguns podem comprar seu próprio meio de transporte. Nenhuma forma de vida anterior ao mundo do lucro foi capaz de modificar tão eficazmente a natureza como se faz hoje em dia. Obras gigantescas, edifícios quilométricos, represas monumentais são gerenciados a cada dia em busca de melhor eficiência para um mundo de maior conforto e estabilidade. O mundo do comércio proporciona aos humanos, o que em nenhuma outra época o homem foi capaz de vivenciar, o bem-estar e conforto pleno. Até bem pouco tempo atrás, o conhecimento era benefício de alguns escolhidos pelo destino. Hoje, praticamente todo o conhecimento humano está ao alcance de um computador conectado à Internet. Qualquer um com o mínimo necessário, pode aprender o que lhe for conveniente, independente de outro para lhe ensinar. A educação é um Direito e nunca tantas pessoas estudaram tanto quanto agora. Nunca as mulheres foram tão independentes e livres desde o surgimento de nossa espécie e nunca tantas pessoas viajaram o mundo como acontece hoje em dia.

Espetáculos são promovidos diariamente pelas realizações do mundo comercial visando o lucro sempre, cada vez maior. É o lucro que, basicamente, movimenta todas as melhorias no mundo há mais de 200 anos. Nunca o homem viveu uma época de tanta prosperidade como vivemos no mundo atual. E nunca tivemos tanta esperança no futuro como temos agora.  Hoje, modificamos os genes das plantas para aumentar a produção ou para evitar pragas nas lavouras. Fazemos uma mulher engravidar mesmo sem a ajuda de um homem, salvamos vidas com órgãos de outros humanos. Médicos na Alemanha operam o cérebro de qualquer um em condições nos Estados Unidos por computadores conectados a satélites artificiais estacionados no espaço. Viajamos pelo universo e estamos construindo bases para que no futuro possamos ir até a Lua ou a Marte como turistas ou pesquisadores. As delícias do mundo do lucro são incontáveis, Mesmo assim, o mundo do lucro também possui suas falhas e incoerências.

Ser ou ter? eis a questão
Com um mundo que é baseado simplesmente no maior ganho pessoal, o individualismo é um grande problema da atualidade. Cada vez mais as pessoas veem nos outros, concorrentes em vez de companheiros. Cada vez mais as cidades crescem e todos acabam sendo estranhos a todos, cada vez mais é necessário se especializar para competir com pessoas especializadas. A vida passou a ser frenética e estressante, pois a quantidade de obrigações que este mundo de possibilidades nos oferece passou a fazer parte de grandes imposições para todos que vivem nas grandes cidades.

Cada vez mais, os humanos enxergam a beleza e a necessidade de possuir, de ter. Cada vez mais estamos deixando de lado o sentimento fraterno pelo próximo, a cordialidade e a gentileza. Estamos enterrando o nosso ser. Para os capitalistas, cada vez que um individualista consegue o seu progresso individual e todos os individualistas conseguindo progredir também, no final toda a sociedade individualista progride junto. Porém, este pode ser um pensamento prejudicial ao próprio homem. Cada vez mais famílias vivem separadas e filhos crescem sem referências paternas ou até maternas. Cada vez mais a violência faz parte de nosso cotidiano, pois os que ainda não conseguem ter acabam tomando de quem já têm, ou até matam para ter o que não podem comprar. Ser ou não ser é o grande problema que o mundo do lucro não coloca mais como opção à nossa frente. Será melhor para a sociedade que cada um cuide de si próprio para que todos sejam beneficiados ou será melhor que todos cuidem de todos para que todos sejam beneficiados? Já sabemos que no mundo onde ter ou não ter existe toda uma diferença entre a riqueza e a pobreza. Mas será que o mundo atual não poderia acabar com a pobreza?

O mundo da pobreza
Enquanto uns desfrutam das oportunidades que o mundo atual oferece, outros não possuem este privilégio. Em quase todos os países do mundo os pobres perambulam pelas ruas e incomodam aos que não são pobres.  A existência da pobreza em países como o Brasil se dá em virtude da uma História de privilégios de uns em detrimento do abandono de outros pelos governos e sociedade. A lógica do mundo capitalista é que cada um faça por si o que puder para vencer. Porém, a maioria dos humanos até hoje não conseguiu sair da condição da pobreza. E então, os países devem ajudar estes excluídos? Os países devem contribuir para que todos os pobres comam, tenham educação, saúde e trabalho? O país deve ajudar a quem não pode fazer por si só? Será que o país não pode ajudar os que precisam? Um país que promove o bem-estar a todos é chamado de nação justa. O Brasil é justo com todos os seus cidadãos?

Para onde vamos?
Se no mundo atual, a riqueza vem do lucro e o lucro vem, basicamente, da produção, comercialização e busca de novos compradores. Para acabarmos com a pobreza devemos produzir mais. Porém se produzirmos muito, os preços dos produtos caem e acabaremos gerando desemprego. Infelizmente praticamente todas as nações em desenvolvimento de hoje possuem cerca de 10% de desempregados. É a existência de desempregados que faz os salários dos empregados continuarem baixos. Mas para quem não é dono de nenhuma empresa, ainda é melhor ter um salário baixo do que não tê-lo.

Para não fazer parte deste exército de desempregados, os que não possuem emprego ainda, devem possuir condições de conseguir trabalho. Como ser capaz de disputar uma vaga para um emprego? Capacitando-se. Como capacitar-se? Estudando. É por isso que as pessoas que não são pobres não ficam desempregadas, pois elas estudam muito desde cedo e conseguem os melhores empregos. Mesmo assim, sobram milhares de excelentes empregos. Quase todos já estão ocupados, mas estarão livres no futuro, devido ao crescimento do país. Para estar preparado para uma destas vagas, o cidadão interessado deve possuir condições de ser útil para o mercado de trabalho. E para o mercado de trabalho a utilidade de um trabalhador está no saber fazer de forma eficiente, com inteligência e iniciativa para resolver os problemas do dia-a-dia.

Quando um trabalhador se dispõe a aprender mais, ele está investindo no futuro, para possuir um trabalho melhor ou mesmo um salário melhor no próprio emprego. Com sua capacitação, o trabalhador será mais capaz de executar as funções que seu cargo exige, sendo elogiado pelos escalões mais altos do ambiente de trabalho. Assim, quando houver uma necessidade, este será promovido ou não será excluído como aconteceria se não tivesse aperfeiçoado seus conhecimentos. Para resumir, no mundo de hoje, todos estão se especializando. Os que não possuem esta prática são fortes candidatos a se tornarem os desempregados do futuro. Felizmente, as oportunidades de especialização crescem a cada dia e projetar um futuro melhor para a carreira e para a família ficou mais fácil para todos. Porém, a iniciativa para se chegar a um futuro melhor é pessoal e infelizmente, no mundo de hoje muitos podem nos substituir. Os governos cada vez mais oferecem vagas em escolas e instituições de ensino para que cada vez mais a população possa ter acesso ao conhecimento e possa crescer profissionalmente, para que uma maior quantidade de pessoas se torne mais rica e possa gerar mais riqueza para todos.

Quando um desempregado consegue um emprego ele passa a consumir, consumindo ele faz com que o empresário invista mais no negócio, contratando mais trabalhadores, fazendo com que cada vez mais o país cresça como um todo. Um país que cresce é um país mais rico. Um país mais rico pode ser tornar um país menos desigual, com menos pobres, o que aumentará a riqueza de todos, como uma bola de neve, onde todos se tornam mais capazes de enfrentar as dificuldades que sempre aparecem, vivendo uma vida melhor e mais próspera.

A riqueza de todo um povo depende das ações de cada um em prol de si mesmo e em prol de toda a comunidade, sem agredir o meio ambiente. Países mais ricos, já passaram por dificuldades como a que todos passam. Mesmo assim, conseguiram seguir em frente e ultrapassar as barreiras e limitações que a pobreza impõe ao ser humano e as nações. Quando cada governo investe no fim da pobreza, está investindo na riqueza que virá no futuro. Quando um governo investe em educação de qualidade para seu povo, está investindo na riqueza para toda a nação. Quando um cidadão investe com tempo e dedicação no próprio aperfeiçoamento pessoal através do estudo, está projetando um futuro de maior conforto e bem-estar para toda sua família, permitindo que seus filhos também possam se especializar ainda mais e serem mais ricos do que imaginava ser possível seu próprio pai um dia.